Depressão na terceira idade*

(Por Giovanna Petrucci)

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Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a Organização Mundial da Saúde considera que a terceira idade se inicia aos 60 anos. Com o aumento da expectativa de vida no nosso país, muitas pessoas têm passado quase um terço da sua existência na terceira idade, o que tem nos impulsionado a compreender quais são as mudanças que ocorrem na vida dos idosos.
Nessa fase, vivemos uma série de transformações físicas, sociais, cognitivas e emocionais que resultam em oportunidades e desafios. No campo da saúde mental, precisamos chamar atenção para a alta prevalência das taxas de depressão entre esse grupo etário, as quais variam de 5% a 35% no nosso país, dependendo da gravidade do transtorno.
Essa alta prevalência é preocupante porque apesar dos prejuízos da depressão serem inegáveis, trata-se de um transtorno de difícil diagnóstico na terceira idade. Isso ocorre porque os seus sintomas podem ser confundidos com características consideradas próprias da idade, ou porque os idosos costumam ocultá-los para não expressar “fraqueza”, ou ainda porque os sintomas podem ser mascarados por outras doenças que são frequentes na velhice como as demências, as doenças cardiovasculares e o uso do álcool.
Para oferecermos tratamento apropriado à depressão na terceira idade é muito importante reconhecermos suas características. Embora existam diferentes formas de manifestação do transtorno depressivo, as alterações de humor e os prejuízos no funcionamento do indivíduo são características comuns a todos. Os pacientes deprimidos costumam apresentar um estado de humor caracterizado por tristeza, angústia, vazio, desânimo, desesperança e perda de interesse ou prazer nas atividades diárias. Porém, a depressão também pode se manifestar por meio do aumento da irritabilidade, incluindo raiva persistente, reações agressivas e sentimentos de frustração diante de eventos menores.
Esses sintomas costumam ser semelhantes em todas as faixas etárias. Porém, destacamos alguns fatores de risco que podem contribuir para a identificação da depressão na terceira idade. São eles: as perdas específicas, como a morte do cônjuge ou de outros entes queridos, a saída dos filhos de casa, a aposentadoria; as transformações físicas, psicológicas e sociais, como as incapacidades e dificuldades cognitivas, as doenças crônicas, a exclusão social, a perda da autonomia; e a superproteção ou o descaso familiar. Esses fatores podem ser observados pelos próprios idosos ou por seus familiares e cuidadores, pois podem atuar como alerta para a busca de tratamento.
Dentre os tratamentos indicados para a depressão na terceira idade, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem se mostrado o modelo psicoterápico mais consistente, podendo ser aplicada na forma grupal ou individual. O terapeuta e o paciente trabalham com a identificação das crenças desadaptativas que estejam desencadeando e mantendo os sintomas depressivos nos pacientes a fim de auxiliá-los a reestruturar essas crenças e, consequentemente, suas emoções e comportamentos. Os pacientes têm um papel ativo no tratamento com a TCC, aprendendo a reconhecer os fatores desencadeadores da sua depressão, assim como os processos cognitivos, emocionais e sociais que a mantêm.
Um dos objetivos principais da TCC é aumentar a autoestima dos idosos, auxiliando-os a desenvolverem novos recursos para lidar com as situações problemáticas próprias da sua fase de vida. Quando os pacientes apresentam algum tipo de demência, a psicoterapia deve envolver ainda a orientação familiar, pois os familiares costumam enfrentar dificuldades para se adaptar às demandas do paciente idoso. A psicoterapia pode auxiliá-los a compreender quais são essas demandas e como podem atendê-las, visando reduzir os níveis de estresse existentes nessas famílias.
Por fim, ressaltamos a importância de reconhecer o preconceito em torno da terceira idade. Algumas ideias errôneas sobre o envelhecimento são que as pessoas mais velhas geralmente estão cansadas, têm pouca coordenação motora, não sentem falta de convivência social, não sabem usar o seu tempo de maneira produtiva, entre outras. Essas ideias costumam se basear em estereótipos sobre o envelhecimento e dificultam a identificação das reais necessidades dos idosos com quem convivemos. De fato, o envelhecimento normal pode estar associado a algumas mudanças físicas e a um declínio nas habilidades cognitivas, como é o caso de prejuízos na memória. Porém, os idosos precisam ser estimulados a manter sua autonomia e independência física, cognitiva e social para que envelheçam com qualidade de vida.

Fonte: Revista Associação Médica da Paraíba, Fevereiro/2015, Nº 08 – ANO II.

*Para ver o artigo original você pode acessar o link http://associacaomedicapb.com/revista/downloads.html

 

Como Ser Emocionalmente Inteligente

por (Daniel Goleman – The New York Times*- 7/04/2015 | tradução por Roberta Camboim)

O que faz um grande líder? O conhecimento, inteligência e visão, certamente. Para isso, Daniel Goleman, autor do livro “Liderança: O Poder da Inteligência Emocional”,gostaria de acrescentar a capacidade de identificar e monitorar as emoções – as suas e as dos outros  - e gerenciar  relacionamentos. Qualidades associadas com “inteligência emocional”,  distingue os melhores líderes no mundo corporativo de acordo com o Sr. Goleman, ex- repórter  de ciência do New York Times, psicólogo e co-diretor de um consórcio da Universidade Rutgers que promove  pesquisa  sobre o papel  que a inteligência emocional desempenha na excelência. Ele compartilha sua pequena lista das competências.

  1. AUTOCONSCIÊNCIA

Autoconfiança realista: Você entende seus próprios pontos fortes e limitações; você funciona a partir de competências/habilidades e sabe quando precisa de ajuda de outra pessoa da equipe.

Discernimento emocional: Você entende seus sentimentos. Estar consciente do que faz você sentir raiva, por exemplo, pode ajudar você a lidar a raiva.

  1. AUTO-CONTROLE

Resiliência: Você fica calmo sob pressão e se recupera rapidamente de adversidades/problemas. Você não se abala ou entra em pânico. Em uma crise, as pessoas olham para o líder para se sentirem seguros; se o líder é calmo, eles podem ser também.

Equilíbrio emocional: Você mantém todos os sentimentos estressantes em cheque – em vez de explodir com as pessoas, você deixa as pessoas saberem o que está errado e qual é a solução.

Auto-motivação: você continua se movendo em direção a objetivos distantes apesar dos contratempos.

  1. EMPATIA

Empatia cognitiva e emocional: Porque você compreende outras perspectivas, você pode colocar as coisas de maneira que seus colegas compreendem.Você aceita e encoraja suas perguntas, só para ter certeza. Empatia cognitiva, juntamente com a leitura de sentimentos de outra pessoa de forma precisa, proporciona uma comunicação eficaz.

Bom ouvinte: Você presta atenção para a outra pessoa e se dispõe a entender o que elas estão expressando, sem atropelar a fala delas ou mudar de assunto.

  1. HABILIDADES DE RELACIONAMENTO

Comunicação convincente: Você coloca seus pontos persuasivamente, de maneira clara para que as pessoas sejam motivadas, bem como sendo claro em relação às  expectativas.

Trabalho em Equipe: As pessoas se sentem relaxadas trabalhando com você. Um sinal: Eles riem facilmente quando estão próximos a você.

*(Para ver o artigo original você pode acessar o  link http://mobile.nytimes.com/2015/04/12/education/edlife/how-to-be-emotionally-intelligent.html?_r=3&referrer= )

Você já foi gentil com você hoje?

(por Roberta Camboim)

gentileza.2Faço um convite a você que se interessou em ler este pequeno texto. Tente prestar atenção a cada frase que ler, tente ficar presente neste momento, sem preocupar-se com o que vem depois ou se vai entender, sem julgar, apenas leia, deixe fluir. Aproveite o momento para fazer uma pausa.

Quanto tempo de qualidade consegue passar com sua família e amigos? Quantas horas você tem dedicado ao trabalho? Cada vez mais o nosso estilo de vida tem levado as pessoas a estarem mais estressadas. A sensação de pressa é muitas vezes constante, parece que o dia está ficando cada vez mais curto; você já teve essa sensação? Caso tenha respondido que sim, talvez seja necessário estar atento, a como você vem levando sua vida, que tipo de escolhas tem feito, quais atividades tem priorizado e quais atividades têm ficado de lado.

Pequenas mudanças são possíveis e podem melhorar a sua qualidade de vida, muitas vezes recebo pessoas no consultório com pensamentos como: “não tem jeito”, “eu tenho que cumprir todos esses prazos”, “eu tenho que dar conta de tudo”… Ideias muito rígidas, que dão pouco ou nenhum espaço para mudança e a pessoa se sente encurralada e aí vem o estresse e ansiedade. Se confrontarmos esses pensamentos com os dados de realidade, podemos perceber que, não precisamos ser tão rígidos. Nós criamos a nossas regras e nos sentimos obrigados a cumpri-las com muito rigor. Poucas vezes paramos para refletir e questionar se essas regras são realmente boas para nossa vida. Falta gentileza consigo mesmo! Você foi gentil com você mesmo hoje?

Vivenciar o momento presente é um dos maiores desafios da atualidade, mas como tudo, é questão de praticar. Tire um momento para refletir como foi o seu dia, o que você fez o que faltou fazer, será que estou dedicando o tempo que gostaria as coisas que eu gosto? Será que estou tendo qualidade nesse tempo? Essa reflexão o ajudará a ser mais gentil consigo mesmo e você poderá sentir essa gentileza em sua vida, aumentando seu bem-estar.

O tempo parece muito limitado, mas quando nos envolvemos completamente no tempo presente, percebemos que podemos fazer as coisas com mais agilidade e tranquilidade, pois outros pensamentos não nos atrapalham. Você está conseguindo focar sua atenção apenas nesta leitura?

Planejar é muito importante, ajuda que as tarefa sejam cumpridas, mas é muito importante também sermos gentis, saber compreender quando não der pra cumprir o prazo, quando algo não sair como planejamos. Planejamento, gentileza e aceitação são coisas que se praticarmos todos os dias, certamente nos sentiremos mais felizes!

Pense, pratique e depois compartilhe conosco sua experiência!

Effects of Parent-Child Conflict and School Climate on Proactive and Reactive Aggression*

*Trabalho apresentado em Shanghai,China, no Congresso do ISSBD-2014 (International Society for the Study of Behavioural Development)

**Por Giovanna Petrucci, Juliane Borsa, Silvia Koller

This study examines the effect of parent-child conflict and school climate on proactive and reactive aggression in Brazilian students. Aggression can be disruptive for victims and aggressors, resulting in educational and social-emotional problems. The origin of aggression is related to individual and contextual factors, emphasizing negative family relationships. However, evidences suggest that positive school factors may act as a protective factor for family risks. In this study, we are interested in investigating the impact of parent-child conflict and school climate on proactive and reactive aggression among children. Particularly, we examine whether the risk of parent-child conflict could be buffered by positive perception of school climate, which is characterized by indicators of the quality of relationships between students, parents and teachers. The current sample included 300 students from third to fifth grade of four elementary schools in an urban city in the Southern Brazil and their primary caregiver. Children were assessed at school and completed self-reported measures of proactive and reactive aggression among peers and school climate. Caregivers completed a measure of parent-child conflict. Hierarchical linear regression analysis examined the relationships between parent-child conflict and perception of school climate and the dependent variables, as well as the interaction between the independent variables. Separate regressions were run for proactive and reactive aggression, controlling for age and gender. The results revealed significant effects of parent-child conflict (β=.21), perception of school climate (β=-.25), and interaction between them (β=-.15), on proactive aggression. The second regression indicated significant effects of perception of school climate (β=-.35) on reactive aggression. However, there were no significant effects of parent-child conflict (β=.09) and no significant interaction between both independent variables (β=-.10) on this type of aggression. Moderating effects of perception of school climate on proactive aggression in childhood supports the proposition from the risk and resilience perspective that perception of positive school climate may mitigate negative effect of parent-child conflict on child behavior. Despite the fact that parent-child conflict and interaction between family and school variables do not predict reactive aggression, perception of school climate has a significant influence on it. Findings suggest that positive perception of school climate is associated to reducing in proactive and reactive aggression in school. Moreover, it moderates negative influence of parent-child conflict on proactive aggression. School climate indicators may be used to identify student demands at school and to support them, improving the quality of school environment.

**Giovanna Petrucci – Mestre em Psicologia pela UFRGS, Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC) e da International Association for Cognitive Psychotherapy (IACP), Psicóloga Clínica em Camboim & Petrucci – Instituto de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Ansiedade e Depressão: enfrentando e superando

(*Por Giovanna Petrucci)

Ansiedade e Depressão

A ansiedade e a depressão têm se tornado cada vez mais frequentes na população mundial. Apesar das diferenças, as pessoas que se veem tomadas por qualquer um deles enfrentam um grande sofrimento mental e até mesmo físico. Entretanto, todas elas podem se beneficiar de tratamento psicológico e psiquiátrico para desenvolver recursos que as auxiliem no enfrentamento de suas dificuldades. Por meio de dois exemplos fictícios, podemos observar como as emoções, os pensamentos e os comportamentos assemelham-se ou se diferenciam nessas situações.

João vem percebendo uma constante preocupação com as metas e os prazos que precisa cumprir no trabalho. Além disso, ele tem a impressão de que todas as outras obrigações que aparecem no seu dia a dia passaram a dominar a sua mente. Isso o tem deixado muito tenso e inquieto, afetando não só a sua relação com os amigos, colegas de trabalho e familiares, mas também prejudicando o seu sono, a sua saúde e a sua qualidade de vida. João sempre foi uma pessoa muito preocupada, mas ultimamente os pensamentos sobre o futuro começaram a sair do seu controle e a invadir a sua mente durante várias horas do dia, fazendo-o demorar horas para dormir ou acordar-se no meio da noite sem sono. Entretanto, ele não sabe porque isso está acontecendo.

Maria tem estado muito triste e irritada nas últimas semanas. As pessoas que convivem com ela perceberam que ela deixou de fazer várias atividades de que dizia gostar, como ir à academia, viajar com a família e jantar com os amigos. Maria diz que não sente mais prazer nessas atividades e que acha que nada que faça pode ajudá-la a se sentir melhor. Os pensamentos que invadem a sua mente são de que nada do que ela faz nessa vida presta, que a sua vida nunca teve sentido, que ela já fez muita coisa errada e que não tem conserto, etc. Esses pensamentos são muito fortes a ponto de invadirem a sua cabeça onde quer que ela esteja, seja em casa, no trabalho ou no supermercado.

Enquanto João se preocupa e se angustia constantemente com as situações futuras do seu trabalho, da sua casa ou da sua vida – o que pode ser característico da ansiedade –, os pensamentos de Maria se voltam constantemente para o passado, deixando-a angustiada e com a sensação de que está em um túnel sem saída – o que pode ser característico da depressão. Apesar das diferenças, ambos experimentam um grande sofrimento que pode ser tratado por meio de psicoterapias, como a Terapia Cognitivo-Comportamental. Por meio dela, eles podem: aprender o que é o seu transtorno e como ele atua no seu organismo; aprender a se automonitorar para identificar os processos cognitivos e emocionais que desencadeiam e mantêm o seu problema; desenvolver e utilizar estratégias de enfrentamento e de resolução de problemas, entre outros.

É possível que as pessoas que se identifiquem com João e Maria superem a angústia psicológica sem ajuda profissional, contando com o apoio de pessoas amigas. Contudo, o auxílio de um psicólogo e de um psiquiatra tem um papel fundamental na prevenção de recaídas ao longo da vida. Assim como acontece com a nossa saúde física, quanto mais cedo tratarmos os transtornos mentais, menores serão os prejuízos para a saúde global do indivíduo e maior a sua qualidade de vida. Considerando que o aumento dos transtornos mentais é uma realidade relativamente recente, é importante que as pessoas estejam atentas e abertas a buscarem esse tipo de ajuda assim que identificarem os primeiros sinais dos problemas.

 

*Giovanna Petrucci - Mestre em Psicologia pela UFRGS, Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC) e da International Association for Cognitive Psychotherapy (IACP), Psicóloga Clínica em Camboim & Petrucci – Instituto de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Brincadeiras e Limites: sempre é hora de educar

(por Giovanna Petrucci*)

Bomba d'agua

Eu estava na praia no domingo pela manhã quando vi um garoto de aproximadamente quatro anos de idade brincando de encher uma bomba de água para acertar as pernas da sua avó. Pouco depois, ele descobriu uma nova “área de ataque”: o rosto da avó. Diante da pontaria certeira do netinho, a reação de surpresa da avó o deixou ainda mais entusiasmado. E, incrivelmente, o menino conseguia não somente encher a bomba rapidamente, que parecia imensa em suas mãos, mas também não errar um jato! A avó, que antes participativa da brincadeira, passou a se distanciar do neto e a proteger o rosto, claramente incomodada com os tiros de água salgada. Mas a criança sempre se aproximava para um novo “ataque” certeiro, até que a brincadeira foi interrompida pelo chamado para o almoço.
 
À primeira vista, seria uma brincadeira inocente. Porém, causava incômodo ao alvo. A cena me trouxe uma reflexão: como uma avó, ou qualquer adulto cuidador, poderia aproveitar uma brincadeira como essa para ensinar alguns princípios de limite e respeito a uma criança?
 
Podemos pensar em diferentes reações que ela poderia ter tido. 1) A avó poderia ter interrompido a brincadeira naquele momento e arrancado subitamente a bomba de água das mãos da criança. 2) Poderia ter gritado ou reclamado rispidamente para que ele simplesmente parasse com aquele comportamento. Nesses dois casos, a criança receberia a mensagem de que havia feito algo que contrariou alguém com maior autoridade do que ela. Porém, ela também aprenderia que em outras situações em que ela estivesse no controle, até mesmo com um coleguinha da mesma idade, poderia continuar com a atitude prejudicial.
 
Poderíamos continuar falando de outras alternativas, mas vou destacar uma que pode ser muito valiosa, de acordo com diversos autores que pesquisam sobre a origem do comportamento agressivo físico: 3) a avó poderia ter parado a brincadeira por alguns segundos, ter se abaixado até a altura do garoto e ter expressado para ele como ela estava se sentindo incomodada com toda aquela água em seu rosto (utilizando uma linguagem compreensível para a criança). Embora com apenas quatro anos de idade, o garoto poderia ter sido estimulado a entender quais eram os efeitos que o seu comportamento poderiam ter nas outras pessoas. E é muito importante que os cuidadores iniciem esse processo de aprendizagem o quanto antes e se responsabilizem por ele, pois assim estarão auxiliando a promover o desenvolvimento das competências socioemocionais tão necessárias para o futuro saudável dos seus pequenos. Desse modo, eles terão maior facilidade de se adaptar a novos contextos sociais à medida que se desenvolverem. E esse não é um dos grandes desejos dos pais?

 

*Giovanna Petrucci - Mestre em Psicologia pela UFRGS, Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC) e da International Association for Cognitive Psychotherapy (IACP), Psicóloga Clínica em Camboim & Petrucci – Instituto de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Psicoterapia Cognitivo-Comportamental- Uma breve Introdução

(por Roberta Camboim)

A Terapia cognitivo-comportamental foi iniciada no começo dos anos 60 pelo Prof. Aaron Beck da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos. Apesar de ser uma nova teoria para tratar de problemas psicológicos, transtornos psiquiátricos e problemas médicos com componentes psicológicos, tem demonstrado grande eficácia na resolução destes tipos de problemas. Foi a primeira teoria psicológica que teve estudos sobre sua eficácia comparadas com a eficácia de tratamentos medicamentosos, neste caso para a depressão. Alguns pesquisadores também encontraram mudança neurobiológica associada com o tratamento de alguns transtornos psicológicos na terapia cognitivo-comportamental (Goldapple, 2004).
A terapia cognitivo–comportamental (TCC) é uma terapia estruturada de curta-duração direcionada a resolução de problemas atuais com o objetivo de mudança de pensamento e comportamento disfuncional (Beck, 1964). A TCC desde o principio, se mostrou bastante eficaz no tratamento da depressão, uma vez que os primeiros estudos e o desenvolvimento desta teoria tomou como base, pacientes depressivos. Com o passar dos anos novos estudos foram realizados demonstrando sua eficácia também em outros tipos de transtornos psiquiátricos e problemas psicológicos.
O tratamento é baseado na conceitualização de cada caso clínico específico, ou seja, no entendimento individual da maneira de pensar, nos padrões de comportamento e nas crenças subjacentes individuais. O terapeuta através desta conceitualização irá buscar a melhor maneira de promover a mudança nos pensamentos (cognitiva) para que seja possível a mudança dos comportamentos e sentimentos que lhes geram sofrimento.
O modelo cognitivo proposto pela TCC sugere que o pensamento disfuncional, é uma característica compartilhada por todos os indivíduos que tem algum distúrbio psicológico, pensamento este que influencia no humor e no comportamento do indivíduo. A modificação do pensamento deve levar o indivíduo a ter uma percepção mais realista da situação, considerando fatores que antes eram descartados devido a uma crença central apresentada pelo mesmo, que suportava o pensamento automático disfuncional. A modificação das crenças centrais e subjacentes leva a uma mudança mais duradoura em diferentes situações que possam se apresentar.
Desta forma acreditamos que a TCC é uma teoria psicológica que demonstra grande eficácia, (já comprovada por pesquisas científicas) promovendo a redução de sintomas e proporcionando uma melhor qualidade de vida para aqueles que buscam utilizar suas técnicas e teoria durante sua vida.

Referências:
Beck, A. T. (1964). Thinking and depression: Theory and therapy. Archives of General
Psychiatry, 10, 561-571.

Beck, Judith S. (2011) Cognitive behavior therapy : basics and beyond / Judith S. Beck.–2nd ed. p. cm. Rev. ed. of: Cognitive therapy. c1995.

Goldapple, K., Segal, Z., Garson, C., Lau, M., Bieling, P., Kennedy, S., et al. (2004).
Modulation of cortical–limbic pathways in major depression. Archives of General
Psychiatry, 61, 34–41.